Mais uma vez, o jornal me escalou na última quarta-feira (17-03) para mais uma cobertura no Palácio dos Bandeirantes. Desta vez, a justificativa para o evento foi o lançamento de mais 60 mil vagas para um curso de capacitação do governo do estado, destinado a desempregados carentes. Quem participa das aulas também recebe uma ajuda de custo de R$ 210. No entanto, percebi no ar um clima, digamos, de festa muito além da conta.
Aí, caiu a ficha (ainda sou dos tempos dos antigos orelhões do Sistema Telebrás). Afinal, estamos a menos de um mês dos anúncios oficiais de candidaturas e da desincompatibilização dos cargos por parte dos interessados em concorrer as próxima eleições. Claro, a grande solenidade tinha justificativa. Por esse motivo, todos os veículos de comunicação estavam lá, inclusive eu.
No meu caso, o assunto pautado era realmente sobre os cursos, pois fui o primeiro a dar essa notícia com exclusividade. No entanto, o espírito de repórter que ainda sobrou em mim foi responsável por afinar a sintonia. Além do assunto em questão no evento, comecei a prestar mais atenção no ambiente e nos bastidores.
Como sempre ocorre, a solenidade de anúncio começou com atraso de uma hora. Desta vez, algo mais além: sem a presença do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que chegou atrasado no próprio local de trabalho. Ao ver a bancada completa, meu raciocínio trabalhou rapidamente.
Mesmo sem anúncios oficiais até então, a chapa para disputar as próximas eleições estava quase completa: Serra, o secretário de Desenvolvimento e ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM). Respectivamente, pré-candidatos a presidente, a governador e vice-governador. Aliás, há muito tempo eu não os via juntos, um do lado do outro. Foi inevitável não pensar assim.
Agora, explico os motivos. Em relação ao Serra, não preciso apresentar muitos motivos pois ele já assumiu como governador com esse interesse de disputar para comandar o outro Palácio, o do Planalto. No caso de Alckmin, as pesquisas internas feitas a pedido do PSDB apontam o ex-governador como favorito a voltar a comando do Palácio dos Bandeirantes. Além disso, o partido não vai se arriscar a perder o comando do estado mais importante da Federação, tanto no contexto político quanto econômico.
Já Afif deve mesmo sair como vice eventualmente como Alckmin porque precisou abrir mão da candidatura a senador em favor do também ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Nesse caso, o motivo foi o acordo articulado por Serra e fechado em 2008 para garantir apoio do PMDB em favor do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).
Desta forma, sobrou para Afif a vaga de candidato a vice. Por enquanto, tudo está desenhado assim. Mas como a política também é uma caixinha de surpresas, tudo pode mudar.
De volta ao evento, o jeito foi também ficar atento a esse ambiente todo. Na plateia, muitas autoridades, deputados aliados e a gente de olho em tudo. Apesar de ficar no foco das vagas dos cursos que é assunto da minha editoria, de economia, também me transformei num esporádico repórter de política (na minha opinião, minha segunda área de atuação).
Na entrevista coletiva com o governador, perguntei sobre os cursos, obviamente. Em seguida, uma outra repórter questionou quando Serra assumiria a condição de pré-candidato. Como acontece até agora, ele desconversou. Foi a minha hora de testar se conseguiria atuar nas eleições, ao abordá-lo sobre o crescimento da pré-candidata e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, nas pesquisas de opinião pública.
A última consulta feita pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que a concorrente governista cresceu cinco pontos percentuais e estava com 30% das intenções. Serra contava com 35% na mesma análise. Então, o governador disse que não costuma comentar pesquisas, mesmo quando o resultado seja favorável. Depois, foi embora.
Já Afif confirmou que deixará a secretaria no início de abril para sair candidato, em entrevista depois da solenidade. Porém, não adiantou para qual cargo. Nos bastidores, é dada como certa a candidatura dele a vice-governador, dentro do acordo fechado. Alckmin nada falou no evento. Só faltou saber quem será o vice de Serra. Mas isso só ocorrerá nos próximos dias.
Entre essas e outras, percebi que o contexto todo do evento serviu para eu aquecer as turbinas, caso fique na cobertura das eleições. Além disso, deixou em mim a vontade ainda maior de atuar nessa corrida eleitoral. Afinal, a disputa promete muitas surpresas. O jeito é esperar para ver quais serão as cenas do próximo capítulo.
domingo, 21 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Sensação de dever cumprido
Entrei mais cedo por ter sido escalado para cobrir, mais uma vez, a visita do ministro do Trabalho a São Paulo. Como manda o figurino, acompanhei todos os passos do evento que contou com a presença de Carlos Lupi. Era um anúncio importante, pois o governo federal mostrava o novo sistema de prorrogação do contrato temporário para mais seis meses, a ser usado pelas empresas. A meta desse mecanismo é reduzir o tempo de espera para apenas dois dias, contra os 45 hoje.
Então, o jeito foi assistir ao evento todo, afinal as autoridades só concedem a tradicional entrevista coletiva após o término dessas atividades. O ministro discursou ao público presente e os representantes das entidades que representam os empresários e empregados também fizeram o mesmo. Sempre é assim.
Fora o assunto do evento, eu tinha outros tópicos para abordar com Lupi. Trata-se da luta para conseguir uma boa reportagem e ir mais além do que era abordado naquele ambiente, um almoço organizado no Circolo Italiano, na capital paulista. Porém, não precisei fazer muito esforço por um único e simples motivo. Uma reportagem feita por mim um dia antes repercutiu junto ao ministro.
Isso mesmo. Minutos antes da entrevista coletiva, um grupo de motoboys foi cobrar a liberação do financiamento especial destinado à categoria. A linha de crédito especial criada para o setor não tinha saído do papel devido a um impasse na Caixa Econômica Federal, responsável pela operação desse sistema. O banco tem dificuldades de encontrar uma empresa disposta a fazer o seguro das motocicletas vendidas, sob alegação dessa profissão ser de alto risco.
Pois bem, todo esse imbróglio foi relatada numa matéria que fiz. Os diretores do Sindicato dos Motoboys entregaram o jornal com a minha reportagem diretamente ao ministro. Ou seja, tinha mais um assunto para perguntar a Lupi, que abriu a página e leu o texto. Desta forma, meu objetivo de o fato repercutir amplamente foi alcançado.
Assim, me restou perguntar a Lupi que ele poderia fazer para resolver o caso. Questionado, prometeu cobrar agilidade junto à Caixa Econômica Federal para resolver o problema. Além disso, revelou a existência de uma negociação para criar um fundo especial, responsável por captar recursos como forma de garantir o seguro das motocicletas compradas por meio desse crédito.
Ainda no meio da entrevista, o ministro me perguntou: "Essa reportagem é sua?" Imediatamente, respondi positivamente. Em seguida, Lupi ressaltou que faria uma leitura mais minuciosa dentro do avião. Só não sei se ele realmente fez isso ou apenas se tratava daquela tradicional média. Jamais saberei a resposta.
Mesmo assim, eu fiquei contente com a reação dele e a forma que a minha reportagem chamou a atenção no segmento e no governo. Presenciei pessoalmente a meta principal dos profissionais da minha área, a de repercutir uma descoberta junto à sociedade e às autoridades. A minha sensação foi de pleno dever cumprido.
Afinal, isso permanece no bom e velho manual de jornalismo. Mostrar um problema, relatar todos os seus passos e, se possível, contar o resultado das nossas constantes cobranças. Pelo menos, ainda continuo no aspecto verdade, sem criar ou ser totalmente sensacionalista.
Depois de 16 anos de caminhada nesse ramo, às vezes, ainda sinto orgulho quando faço um trabalho bem feito. Ainda acho que seguir os meus princípios é o meu melhor caminho, mesmo nos momentos de sensação de nadar contra a maré. É sinal de não deixar me influenciar e manter o meu caráter dentro dessa profissão. Ainda bem.
Então, o jeito foi assistir ao evento todo, afinal as autoridades só concedem a tradicional entrevista coletiva após o término dessas atividades. O ministro discursou ao público presente e os representantes das entidades que representam os empresários e empregados também fizeram o mesmo. Sempre é assim.
Fora o assunto do evento, eu tinha outros tópicos para abordar com Lupi. Trata-se da luta para conseguir uma boa reportagem e ir mais além do que era abordado naquele ambiente, um almoço organizado no Circolo Italiano, na capital paulista. Porém, não precisei fazer muito esforço por um único e simples motivo. Uma reportagem feita por mim um dia antes repercutiu junto ao ministro.
Isso mesmo. Minutos antes da entrevista coletiva, um grupo de motoboys foi cobrar a liberação do financiamento especial destinado à categoria. A linha de crédito especial criada para o setor não tinha saído do papel devido a um impasse na Caixa Econômica Federal, responsável pela operação desse sistema. O banco tem dificuldades de encontrar uma empresa disposta a fazer o seguro das motocicletas vendidas, sob alegação dessa profissão ser de alto risco.
Pois bem, todo esse imbróglio foi relatada numa matéria que fiz. Os diretores do Sindicato dos Motoboys entregaram o jornal com a minha reportagem diretamente ao ministro. Ou seja, tinha mais um assunto para perguntar a Lupi, que abriu a página e leu o texto. Desta forma, meu objetivo de o fato repercutir amplamente foi alcançado.
Assim, me restou perguntar a Lupi que ele poderia fazer para resolver o caso. Questionado, prometeu cobrar agilidade junto à Caixa Econômica Federal para resolver o problema. Além disso, revelou a existência de uma negociação para criar um fundo especial, responsável por captar recursos como forma de garantir o seguro das motocicletas compradas por meio desse crédito.
Ainda no meio da entrevista, o ministro me perguntou: "Essa reportagem é sua?" Imediatamente, respondi positivamente. Em seguida, Lupi ressaltou que faria uma leitura mais minuciosa dentro do avião. Só não sei se ele realmente fez isso ou apenas se tratava daquela tradicional média. Jamais saberei a resposta.
Mesmo assim, eu fiquei contente com a reação dele e a forma que a minha reportagem chamou a atenção no segmento e no governo. Presenciei pessoalmente a meta principal dos profissionais da minha área, a de repercutir uma descoberta junto à sociedade e às autoridades. A minha sensação foi de pleno dever cumprido.
Afinal, isso permanece no bom e velho manual de jornalismo. Mostrar um problema, relatar todos os seus passos e, se possível, contar o resultado das nossas constantes cobranças. Pelo menos, ainda continuo no aspecto verdade, sem criar ou ser totalmente sensacionalista.
Depois de 16 anos de caminhada nesse ramo, às vezes, ainda sinto orgulho quando faço um trabalho bem feito. Ainda acho que seguir os meus princípios é o meu melhor caminho, mesmo nos momentos de sensação de nadar contra a maré. É sinal de não deixar me influenciar e manter o meu caráter dentro dessa profissão. Ainda bem.
terça-feira, 2 de março de 2010
Uma emocionada despedida
Mudanças num determinado veículo de comunicação sempre trazem aquela tradicional movimentação de profissionais. E, obviamente, isso acontece hoje no Diário de São Paulo, onde um novo proprietário assumiu desde dezembro passado. Alguns chegam para melhorar a qualidade do conteúdo. Outros vão embora ou por não terem se adaptado às modificações ou porque encontraram novas oportunidades. Afinal, sempre será desta forma.
E isso aconteceu mais recentemente com três profissionais da casa: Isabela Barros, Aiuri Rebello e Plínio Delphino. Os três partiram para novos horizontes, numa agência de notícias, numa viagem à Europa e no SBT, respectivamente. Esse é o caminho natural da nossa profissão.
Sem querer desmerecer os demais, um deles com certeza representa parte da história mais recente do matutino, desde os tempos do velho Diário Popular. Ele se chama Plínio Delphino. Esse excelente repórter policial passou treze anos de sua vida na redação, desde os tempos de um simples estagiário.
Foi justamente nessa época que o conheci, em 1996, quando o mesmo me telefonava para ajudá-lo na apuração das constantes rebeliões na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. Naquele tempo, também dava meus primeiros passos na minha região, na Rádio Metropolitana.
Como a internet e o celular ainda eram artigos de luxo, o jeito era se virar por meio de contatos telefônicos. O Plinião, como também é conhecido, me ligava no orelhão próximo à cadeia e vice-versa. No último caso, fazia isso até por meio do então recente cartão telefônico.
O tempo passou e onze anos mais tarde o encontrei na própria redação do Diário de São Paulo. Por três anos, convivi com esse grande e respeitado profissional. Sinto-me honrado em colaborar, mesmo que timidamente, com a sua trajetória quando ainda cobria um pouco os fatos policiais.
Mas o que me chamou a atenção na sua despedida foi a carta deixada aos demais companheiros da redação, via e-mail. É muito difícil não se emocionar (eu me emocionei a ponto da voz ficar embargada). Quem se diz jornalista com certeza deve ter se solidarizado com o conteúdo. Já a pessoa que ainda não leu, vale a pena desfrutar desse emaranhado de palavras de gratidão.
Por esse motivo, decidi publicar na íntegra a carta deixada pelo Plinião como a minha simples homenagem a quem se dedicou de coração e já tem um capítulo na história desse centenário matutino. Coloquei isso com autorização do seu autor, claro.
Aiuri e Isabela, da próxima vez prometo voltar com uma postagem mais equilibrada com esse trio que deixou o jornal. Com todo o perdão, mas não tinha como deixar essa carta do Plinião passar em branco:
"Outubro de 96. Lá estava eu, diante do prédio do DIÁRIO POPULAR, como uma criança olhando para o pai, de baixo pra cima. Olhar de quem está curioso, de quem precisa de espelho para aprender e seguir a vida adulta. Na portaria me mandaram para as alturas. O quinto andar. A famosa redação do Dipo. E pra chegar lá, sempre havia um ascensorista cheio de história ou de manias no nosso caminho. Seo Paulo barrava até diretor se o elevador estivesse cheio. O São-Paulino, que colava o rosto na parede, lustrava o painel do aparelho a cada segundo e nunca terminava um assunto, porque o andar chegava antes do epílogo. O Daniel da madrugada, trabalhava com um guarda-chuva gigante à mão. Personagens únicos de um lugar ímpar.
Motoristas crentes, malucos, parceiros, corretos, nem tanto, pulsavam nas ruas com a gente até na contramão. Fotógrafos queriam engolir o mundo em imagens. E a gente enchendo a página de histórias pra lá de saborosas, inéditas, sensacionais. Telefones latejantes irritavam a redação o dia inteiro. Era nervoso, contagiante. Cresci aqui, nessa aura romântica, sem internet ou celular, em tempo que o bloquinho era prova irrefutável de que teu trabalho foi árduo. A gráfica ficava no prédio da redação. À noite, a gente saía e o jornal já estava sendo encartado na rua movimentada. Uma fila de Kombi aguardava para levar ao leitor a edição, em preto e branco, que sujava a roupa, as mãos, mas valia cada centavo do leitor.
O DIPO envelheceu e então chegou o DIÁRIO DE S.PAULO. Novos chefes, novos rumos, grandes novos amigos. Amadureci. Mudei. E vivi a minha melhor fase profissional com a mudança. O que eu aprendi com os antigos era forte, era a grande base. Mas, os meninos novos me trouxeram o olhar moderno, irreversível da realidade virtual. Não importa a forma e a época. Percebi que essa "casa" sempre funcionou como uma grande família. Aqui, quase sempre, as reprimendas vêm do coração, para que o erro sirva de lição. Aqui, os colegas sempre vibraram pelo teu sucesso e o ego nunca foi tão grande quanto o trabalho bem feito. É o que eu vi. Ou pelo menos o que eu precisava ver. Queria poder voltar muitos anos e abraçar um por um e agradecer por fazer parte da minha vida - afinal de contas, passei 1/3 dela dentro dessa grande engrenagem.
Agora, 13 anos depois, o Plínio do DIÁRIO, adolescente, quer se rebelar um pouco. Vou fugir de casa. Mas, deixei meus pais avisados. O DIÁRIO foi o "chão que me consagrou". "Foi meu herói e meu bandido". E é por isso que deixo esse lugar cheio de saudade. Mas, com a alegria de ver pessoas de caráter, de fibra, generosas, amigos gigantes, parceiros de verdade, honrando toda essa história. Me sinto orgulhoso de ter feito parte de tantos times maravilhosos que se formaram aqui. Preciso ir, mas, não me peçam para fechar a porta! Valeu demais...
26/02/2010
Plínio Delphino"
E isso aconteceu mais recentemente com três profissionais da casa: Isabela Barros, Aiuri Rebello e Plínio Delphino. Os três partiram para novos horizontes, numa agência de notícias, numa viagem à Europa e no SBT, respectivamente. Esse é o caminho natural da nossa profissão.
Sem querer desmerecer os demais, um deles com certeza representa parte da história mais recente do matutino, desde os tempos do velho Diário Popular. Ele se chama Plínio Delphino. Esse excelente repórter policial passou treze anos de sua vida na redação, desde os tempos de um simples estagiário.
Foi justamente nessa época que o conheci, em 1996, quando o mesmo me telefonava para ajudá-lo na apuração das constantes rebeliões na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. Naquele tempo, também dava meus primeiros passos na minha região, na Rádio Metropolitana.
Como a internet e o celular ainda eram artigos de luxo, o jeito era se virar por meio de contatos telefônicos. O Plinião, como também é conhecido, me ligava no orelhão próximo à cadeia e vice-versa. No último caso, fazia isso até por meio do então recente cartão telefônico.
O tempo passou e onze anos mais tarde o encontrei na própria redação do Diário de São Paulo. Por três anos, convivi com esse grande e respeitado profissional. Sinto-me honrado em colaborar, mesmo que timidamente, com a sua trajetória quando ainda cobria um pouco os fatos policiais.
Mas o que me chamou a atenção na sua despedida foi a carta deixada aos demais companheiros da redação, via e-mail. É muito difícil não se emocionar (eu me emocionei a ponto da voz ficar embargada). Quem se diz jornalista com certeza deve ter se solidarizado com o conteúdo. Já a pessoa que ainda não leu, vale a pena desfrutar desse emaranhado de palavras de gratidão.
Por esse motivo, decidi publicar na íntegra a carta deixada pelo Plinião como a minha simples homenagem a quem se dedicou de coração e já tem um capítulo na história desse centenário matutino. Coloquei isso com autorização do seu autor, claro.
Aiuri e Isabela, da próxima vez prometo voltar com uma postagem mais equilibrada com esse trio que deixou o jornal. Com todo o perdão, mas não tinha como deixar essa carta do Plinião passar em branco:
"Outubro de 96. Lá estava eu, diante do prédio do DIÁRIO POPULAR, como uma criança olhando para o pai, de baixo pra cima. Olhar de quem está curioso, de quem precisa de espelho para aprender e seguir a vida adulta. Na portaria me mandaram para as alturas. O quinto andar. A famosa redação do Dipo. E pra chegar lá, sempre havia um ascensorista cheio de história ou de manias no nosso caminho. Seo Paulo barrava até diretor se o elevador estivesse cheio. O São-Paulino, que colava o rosto na parede, lustrava o painel do aparelho a cada segundo e nunca terminava um assunto, porque o andar chegava antes do epílogo. O Daniel da madrugada, trabalhava com um guarda-chuva gigante à mão. Personagens únicos de um lugar ímpar.
Motoristas crentes, malucos, parceiros, corretos, nem tanto, pulsavam nas ruas com a gente até na contramão. Fotógrafos queriam engolir o mundo em imagens. E a gente enchendo a página de histórias pra lá de saborosas, inéditas, sensacionais. Telefones latejantes irritavam a redação o dia inteiro. Era nervoso, contagiante. Cresci aqui, nessa aura romântica, sem internet ou celular, em tempo que o bloquinho era prova irrefutável de que teu trabalho foi árduo. A gráfica ficava no prédio da redação. À noite, a gente saía e o jornal já estava sendo encartado na rua movimentada. Uma fila de Kombi aguardava para levar ao leitor a edição, em preto e branco, que sujava a roupa, as mãos, mas valia cada centavo do leitor.
O DIPO envelheceu e então chegou o DIÁRIO DE S.PAULO. Novos chefes, novos rumos, grandes novos amigos. Amadureci. Mudei. E vivi a minha melhor fase profissional com a mudança. O que eu aprendi com os antigos era forte, era a grande base. Mas, os meninos novos me trouxeram o olhar moderno, irreversível da realidade virtual. Não importa a forma e a época. Percebi que essa "casa" sempre funcionou como uma grande família. Aqui, quase sempre, as reprimendas vêm do coração, para que o erro sirva de lição. Aqui, os colegas sempre vibraram pelo teu sucesso e o ego nunca foi tão grande quanto o trabalho bem feito. É o que eu vi. Ou pelo menos o que eu precisava ver. Queria poder voltar muitos anos e abraçar um por um e agradecer por fazer parte da minha vida - afinal de contas, passei 1/3 dela dentro dessa grande engrenagem.
Agora, 13 anos depois, o Plínio do DIÁRIO, adolescente, quer se rebelar um pouco. Vou fugir de casa. Mas, deixei meus pais avisados. O DIÁRIO foi o "chão que me consagrou". "Foi meu herói e meu bandido". E é por isso que deixo esse lugar cheio de saudade. Mas, com a alegria de ver pessoas de caráter, de fibra, generosas, amigos gigantes, parceiros de verdade, honrando toda essa história. Me sinto orgulhoso de ter feito parte de tantos times maravilhosos que se formaram aqui. Preciso ir, mas, não me peçam para fechar a porta! Valeu demais...
26/02/2010
Plínio Delphino"
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Cena inusitada em Campinas
Mais uma viagem a serviço do jornal. Na verdade, um breve período fora da redação para cobrir o lançamento de um novo veículo, desta vez uma nova versão da picape Saveiro, a Cross. Como manda o figurino, o evento garantia na sua programação uma estadia num belo hotel e com direito a um test drive com o veículo. Para organizar esta ocasião, a Volkswagen - fabricante do modelo - escolheu Campinas, no interior de São Paulo.
Como todos sabem, a cidade tem uma pitoresca fama, a exemplo de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Se é folclore ou se a história realmente procede, a dúvida sempre persistirá na cabeça das pessoas. No entanto, a brincadeira sempre é feita. É inevitável, para o desespero dos nascidos ou quem reside nesse município.
Independentemente de existir esse dilema, algo inusitado aconteceu durante a passagem dos jornalistas convidados para o lançamento àquela cidade. Durante o teste realizado pelo grupo com o veículo, houve uma chuva e depois o sol apareceu novamente. Inevitavelmente (até rimou), algo apareceu sobre Campinas.
O fato ocorreu exatamente quando estava na Rodovia Anhanguera junto com o jornalista especializado no setor automotivo, Pedro Kutney. Para testar o veículo, os convidados costumam sair em duplas para se revezarem no volante em meio ao percurso montado pela fabricante de carros.
Desta forma, esse surgimento inesperado nos pegou de surpresa. Naquele momento, eu guiava a nova Saveiro Cross na estrada. Como conduzia o veículo, o registro fotográfico ficou por conta do Pedro. Vale a pena ver essa imagem:

Bom, quando o sol aparece junto com a chuva, o arco iris realmente aparece. Além disso, todos sabem qual é o símbolo que o mesmo representa. Se esse surgimento em Campinas é ou não uma mera coincidência, todos dificilmente conseguirão uma resposta concreta e certeira.
O mais importante neste caso é a imagem devidamente registrada. Só garanto que isso não é invenção ou montagem. Nascidos e residentes em Campinas, brincadeirinha. Por outro lado, não podia deixar uma oportunidade igual a essa passar.
Como todos sabem, a cidade tem uma pitoresca fama, a exemplo de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Se é folclore ou se a história realmente procede, a dúvida sempre persistirá na cabeça das pessoas. No entanto, a brincadeira sempre é feita. É inevitável, para o desespero dos nascidos ou quem reside nesse município.
Independentemente de existir esse dilema, algo inusitado aconteceu durante a passagem dos jornalistas convidados para o lançamento àquela cidade. Durante o teste realizado pelo grupo com o veículo, houve uma chuva e depois o sol apareceu novamente. Inevitavelmente (até rimou), algo apareceu sobre Campinas.
O fato ocorreu exatamente quando estava na Rodovia Anhanguera junto com o jornalista especializado no setor automotivo, Pedro Kutney. Para testar o veículo, os convidados costumam sair em duplas para se revezarem no volante em meio ao percurso montado pela fabricante de carros.
Desta forma, esse surgimento inesperado nos pegou de surpresa. Naquele momento, eu guiava a nova Saveiro Cross na estrada. Como conduzia o veículo, o registro fotográfico ficou por conta do Pedro. Vale a pena ver essa imagem:
Bom, quando o sol aparece junto com a chuva, o arco iris realmente aparece. Além disso, todos sabem qual é o símbolo que o mesmo representa. Se esse surgimento em Campinas é ou não uma mera coincidência, todos dificilmente conseguirão uma resposta concreta e certeira.
O mais importante neste caso é a imagem devidamente registrada. Só garanto que isso não é invenção ou montagem. Nascidos e residentes em Campinas, brincadeirinha. Por outro lado, não podia deixar uma oportunidade igual a essa passar.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Um papo em inglês na farmácia
A pedido da chefia, fui fazer uma reportagem na rua, mais precisamente nas farmácias de São Paulo. Parei na primeira drogaria, próxima ao jornal onde trabalho para conversar com o responsável pelo estabelecimento. A entrevista seria algo habitual no nosso dia-a-dia, mas a chegada de um cliente mudou completamente a situação.
Em meio à conversa, o entrevistado interrompeu a conversa para atender o consumidor recém-chegado ao local. O representante da farmácia perguntou se o rapaz gostaria de alguma coisa, mas o mesmo cliente fez uma fisionomia de que não havia entendido nenhuma palavra.
O responsável pela drogaria tentou mais uma vez. No entanto, o cliente nada respondeu com um rosto que transparecia total desconhecimento. Só começamos a entender a reação dele quando ele perguntou em inglês se alguém falava esse idioma, com a frase antológica "do you speak english?"
Eu entrei em combate a partir deste questionamento. O jeito foi praticar essa língua na qual estudei por cinco anos, nos tempos de adolescência. Disse, no mesmo idioma, que falava mais ou menos. Como ele entendeu, passei a intermediar a conversa entre o consumidor estrangeiro e o funcionário da farmácia.
Sempre em inglês, o turista me contou que passava mal desde a madrugada e fez gestos para apontar a região do estômago. Em movimentos circulares, disse que estava com problemas e começou a explicar sobre o fato de ter ido ao banheiro várias vezes.
Assim, o questionei quantas vezes ele havia ido ao banheiro. O estrangeiro respondeu que foram cinco vezes desde a madrugada daquele dia. Em seguida falei para o funcionário que se tratava de uma diarreia.
O responsável pela drogaria indicou um medicamento e explicou para mim que o mesmo deveria ser ingerido uma vez a cada seis horas. Desta forma, passei as orientações em inglês para o consumidor. Ainda perguntei se havia entendido e o rapaz me respondeu que sim.
Ele quis saber quanto custava o medicamento e, nessa intermediação, informei que saía por R$ 20. Ele pagou e agradeceu. Por curiosidade, questionei de onde ele era. O estrangeiro me disse ser de Chicago, Estados Unidos. A visita dele ao Brasil ocorreu devido a um serviço.
O turista logo foi embora. O funcionário da farmácia também me agradeceu e confidenciou que não conseguiria vender nada se eu não estivesse por lá. O representante do estabelecimento não sabia falar inglês.
Após esse episódio inusitado, eu retomei a entrevista. Claro, a conversa rendeu muitos assuntos, facilitada pela minha ajuda. O fato me trouxe duas conclusões importantes. Numa delas, eu percebi que o investimento num outro idioma não foi em vão. A outra foi a necessidade de aprimorar ainda mais o meu inglês para me preparar ainda mais para o mercado.
Em meio à conversa, o entrevistado interrompeu a conversa para atender o consumidor recém-chegado ao local. O representante da farmácia perguntou se o rapaz gostaria de alguma coisa, mas o mesmo cliente fez uma fisionomia de que não havia entendido nenhuma palavra.
O responsável pela drogaria tentou mais uma vez. No entanto, o cliente nada respondeu com um rosto que transparecia total desconhecimento. Só começamos a entender a reação dele quando ele perguntou em inglês se alguém falava esse idioma, com a frase antológica "do you speak english?"
Eu entrei em combate a partir deste questionamento. O jeito foi praticar essa língua na qual estudei por cinco anos, nos tempos de adolescência. Disse, no mesmo idioma, que falava mais ou menos. Como ele entendeu, passei a intermediar a conversa entre o consumidor estrangeiro e o funcionário da farmácia.
Sempre em inglês, o turista me contou que passava mal desde a madrugada e fez gestos para apontar a região do estômago. Em movimentos circulares, disse que estava com problemas e começou a explicar sobre o fato de ter ido ao banheiro várias vezes.
Assim, o questionei quantas vezes ele havia ido ao banheiro. O estrangeiro respondeu que foram cinco vezes desde a madrugada daquele dia. Em seguida falei para o funcionário que se tratava de uma diarreia.
O responsável pela drogaria indicou um medicamento e explicou para mim que o mesmo deveria ser ingerido uma vez a cada seis horas. Desta forma, passei as orientações em inglês para o consumidor. Ainda perguntei se havia entendido e o rapaz me respondeu que sim.
Ele quis saber quanto custava o medicamento e, nessa intermediação, informei que saía por R$ 20. Ele pagou e agradeceu. Por curiosidade, questionei de onde ele era. O estrangeiro me disse ser de Chicago, Estados Unidos. A visita dele ao Brasil ocorreu devido a um serviço.
O turista logo foi embora. O funcionário da farmácia também me agradeceu e confidenciou que não conseguiria vender nada se eu não estivesse por lá. O representante do estabelecimento não sabia falar inglês.
Após esse episódio inusitado, eu retomei a entrevista. Claro, a conversa rendeu muitos assuntos, facilitada pela minha ajuda. O fato me trouxe duas conclusões importantes. Numa delas, eu percebi que o investimento num outro idioma não foi em vão. A outra foi a necessidade de aprimorar ainda mais o meu inglês para me preparar ainda mais para o mercado.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Do twitter à poesia
Em meio ao plantão de Carnaval, aproveitei para fazer mais uma pequena viagem pelo mundo da internet. Muito legal para passar o tempo. Ao acessar a página do Twitter, vi uma frase colocada por uma pessoa. Imediatamente, me chamou a atenção: "Preciso às vezes ser durão, pois eu sou muito sentimental, meu amor..."
Assim, reproduzi o conteúdo colocado pela minha amiga e colega jornalista da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Thaís Nunes. O local escolhido foi a minha página no Orkut. Paralelamente à minha iniciativa, o fato gerou uma breve conversa entre nós pelo Twitter.
Ela contou que retirou a frase de uma música do cantor Jorge Benjor. Desta forma, o jeito foi revelar que havia escrito uma poesia nesse mesmo sentido, há mais de três meses. Além disso, essa rápida conversa via internet foi capaz de tomar uma decisão.
Ou seja, resolvi publicá-la para todos poderem ler. Só divulguei o nome da amiga porque ela me permitiu. Em homenagem à essa conversa, segue a poesia. Sou suspeito para dizer isso, mas vale a pena conferir:
Pareço ser um homem bastante duro.
Por isso, tenho um rosto bem fechado.
Porém, tento manter um coração puro,
que jamais quer ser contaminado.
A tentativa de mostrar um físico forte,
na verdade é um esforço de afastar
quem realmente não tem a sorte
de saber o que é paz e como amar.
Mas me entrego de coração
Àqueles que percebem minha qualidade
Em troca, também ofereço gratidão
para quem vê no interior a minha realidade.
Quem explora o meu lado bom,
percebe em mim uma pessoa bem feliz,
pela vontade de mostrar esse dom,
como eu sempre quis.
28-10-2009
Assim, reproduzi o conteúdo colocado pela minha amiga e colega jornalista da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Thaís Nunes. O local escolhido foi a minha página no Orkut. Paralelamente à minha iniciativa, o fato gerou uma breve conversa entre nós pelo Twitter.
Ela contou que retirou a frase de uma música do cantor Jorge Benjor. Desta forma, o jeito foi revelar que havia escrito uma poesia nesse mesmo sentido, há mais de três meses. Além disso, essa rápida conversa via internet foi capaz de tomar uma decisão.
Ou seja, resolvi publicá-la para todos poderem ler. Só divulguei o nome da amiga porque ela me permitiu. Em homenagem à essa conversa, segue a poesia. Sou suspeito para dizer isso, mas vale a pena conferir:
Pareço ser um homem bastante duro.
Por isso, tenho um rosto bem fechado.
Porém, tento manter um coração puro,
que jamais quer ser contaminado.
A tentativa de mostrar um físico forte,
na verdade é um esforço de afastar
quem realmente não tem a sorte
de saber o que é paz e como amar.
Mas me entrego de coração
Àqueles que percebem minha qualidade
Em troca, também ofereço gratidão
para quem vê no interior a minha realidade.
Quem explora o meu lado bom,
percebe em mim uma pessoa bem feliz,
pela vontade de mostrar esse dom,
como eu sempre quis.
28-10-2009
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
O aniversário da exclusão
Era para ser uma data para comemorar. Como todos sabem, contava ansiosamente esse dia. Mas infelizmente as festividades antes anunciadas se transformaram numa tremenda decepção. Mágoa, irritação ou mesmo falta de consideração? Na verdade, trata-se de uma mistura de tudo isso. Por esse motivo, apenas carrego tristeza em vez de alegria. Afinal, fui totalmente excluído de participar do aniversário de um ano da minha sobrinha, a Rafaela.
Infelizmente, ninguém moveu uma palha para eu poder estar presente nessa festa. Talvez a minha pessoa não seja tão relevante para ficar junto desse evento familiar. Afinal de contas, só sirvo mesmo ou sou procurado quando a questão é financeira. Quem vê parece que estou bem de grana. No entanto, me encontro muito longe disso.
Parece pedir demais, mas só gostaria de que essa pequena reunião de parentes fosse no próximo final de semana, quando estaria de folga. Aí sim também poderia participar. Infelizmente, precisei trabalhar nesse Carnaval, inclusive hoje, no dia em que ela completou um ano de vida.
Se para os demais, essa situação não é relevante, para mim era questão de honra estar nessa festa. Simplesmente fui ignorado. Ainda bem que ela ainda não entende o meu tamanho rancor de ser deixado para trás. Se os demais batalham em mostrar quem dá mais atenção à bebê, eu apenas gostaria de presenciar essa data. É pedir muito? Se fosse o caso, até imploraria.
Ainda bem que a pequena sobrinha ainda não entende a minha enorme insatisfação. Mas os outros entendem e entenderão muito bem o recado. É para compreender mesmo. Garanto que a Rafaela pediria para adiar a comemoração até o próximo final de semana se já soubesse um pouco mais sobre o mundo e de fato como esse tio a ama.
Por outro lado, criança percebe quando ganha muito o amor de um adulto, como é o meu caso. É a coisa mais importante para mim agora. Para o resto, darei apenas o meu silêncio e nada mais, como já faço desde o início desse dia de decepção.
Coloco tudo isso em forma de desabafo sim, doa a quem doer. Para mim, não importa se isso magoar ou causar desconforto. Com certeza, não será mais que a dor na qual eu sinto por ter sido excluído dessa comemoração. Quem passa por aqui sabe como aguardava ansiosamente pela data.
Bem, como decepção não mata mas ensina a viver, então fica mais uma para eu superar. Mas a mágoa ficará por um bom tempo. Não importa os argumentos a serem apresentados. Por esse motivo, me recuso a publicar as fotos feitas por outras pessoas do aniversário dela.
Se não participei, não quero nem registrar nada. As imagens efetuadas por terceiros apenas me trariam mais mágoa ainda. Então, prefiro dar um freio até onde conseguir. E fica o meu registro para a sobrinha até os próximos anos. Rafaela, só não estive presente porque me excluíram, tá?
Infelizmente, ninguém moveu uma palha para eu poder estar presente nessa festa. Talvez a minha pessoa não seja tão relevante para ficar junto desse evento familiar. Afinal de contas, só sirvo mesmo ou sou procurado quando a questão é financeira. Quem vê parece que estou bem de grana. No entanto, me encontro muito longe disso.
Parece pedir demais, mas só gostaria de que essa pequena reunião de parentes fosse no próximo final de semana, quando estaria de folga. Aí sim também poderia participar. Infelizmente, precisei trabalhar nesse Carnaval, inclusive hoje, no dia em que ela completou um ano de vida.
Se para os demais, essa situação não é relevante, para mim era questão de honra estar nessa festa. Simplesmente fui ignorado. Ainda bem que ela ainda não entende o meu tamanho rancor de ser deixado para trás. Se os demais batalham em mostrar quem dá mais atenção à bebê, eu apenas gostaria de presenciar essa data. É pedir muito? Se fosse o caso, até imploraria.
Ainda bem que a pequena sobrinha ainda não entende a minha enorme insatisfação. Mas os outros entendem e entenderão muito bem o recado. É para compreender mesmo. Garanto que a Rafaela pediria para adiar a comemoração até o próximo final de semana se já soubesse um pouco mais sobre o mundo e de fato como esse tio a ama.
Por outro lado, criança percebe quando ganha muito o amor de um adulto, como é o meu caso. É a coisa mais importante para mim agora. Para o resto, darei apenas o meu silêncio e nada mais, como já faço desde o início desse dia de decepção.
Coloco tudo isso em forma de desabafo sim, doa a quem doer. Para mim, não importa se isso magoar ou causar desconforto. Com certeza, não será mais que a dor na qual eu sinto por ter sido excluído dessa comemoração. Quem passa por aqui sabe como aguardava ansiosamente pela data.
Bem, como decepção não mata mas ensina a viver, então fica mais uma para eu superar. Mas a mágoa ficará por um bom tempo. Não importa os argumentos a serem apresentados. Por esse motivo, me recuso a publicar as fotos feitas por outras pessoas do aniversário dela.
Se não participei, não quero nem registrar nada. As imagens efetuadas por terceiros apenas me trariam mais mágoa ainda. Então, prefiro dar um freio até onde conseguir. E fica o meu registro para a sobrinha até os próximos anos. Rafaela, só não estive presente porque me excluíram, tá?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O valor é R$ 550 ou R$ 560?
Mais um dia na rua na cobertura de um bom assunto de economia. Fui enviado ao Palácio dos Bandeirantes com a missão de trazer mais informações sobre a pretensão do governo do estado de conceder aumento para o salário mínimo regional. Pelo que é praticado hoje, existem três faixas salariais para esse piso válido somente para São Paulo. Os valores variam de acordo com a categoria, caso as mesmas não tenham acordos coletivos para estabelecer salários.
O anúncio sobre o reajuste ocorreu oficialmente nesta terça-feira (09-02) pelo governador de São Paulo, José Serra. Mas o fato que mais chamou a atenção de todos os jornalistas presentes no evento foi o aumento aplicado no menor valor entre os três pisos salariais. Ao chegarmos para a solenidade, a equipe de jornalistas ligados ao governo estadual havia nos adiantado que essa faixa passaria de R$ 505 para R$ 550. Ou seja, uma alta de 8,91%.
A divulgação sempre acontece antes do início da entrevista coletiva como forma de facilitar o serviço dos repórteres presentes. Além disso, a notícia dava conta que as outras duas faixas salariais passariam para R$ 5 70 e R$ 580. Hoje, os mesmos pisos estão em R$ 530 e R$ 545, respectivamente. Pela ordem, representariam aumentos de 7,54% e de 6,42%.
Com isso, a primeira questão levantada em meio a essa espera pelo evento foi o fato de todos os reajustes previstos terem ficado abaixo da recomposição dada pelo governo federal para o salário mínimo nacional, que passou de R$ 465 para R$ 510. Isso representa alta de 9,67%. Como manda o figurino, todos queriam perguntar sobre isso ao governador, até então ainda reunido com o secretário de Emprego, Guilherme Afif Domingos.
Porém, a parte mais curiosa ocorreu logo quando Serra e Afif chegaram para a coletiva. Inicialmente, o secretário informou que era necessária fazer uma correção nas informações sobre a menor faixa salarial. Em vez de R$ 550, esse piso passou para R$ 560.
Na prática, essa alteração representava uma alta de 10,89%. Desta forma, esse piso se tornou um reajuste acima do concedido pelo governo federal. O fato gerou mais dúvidas junto aos repórteres. A nossa obrigação foi questionar isso.
Como justificativa, Serra e Afif destacaram que houve uma mudança na forma de cálculo dessa faixa para aplicar o aumento mais favorável ao trabalhador. O argumento foi a utilização do Produto Interno Bruto (PIB) calculado só no estado em 2008 na composição do reajuste. Por ser maior em relação à média nacional, esse índice impactaria num valor mais alto para esse piso. Em anos anteriores, era levado em consideração o PIB do país.
Mesmo assim, a desconfiança continuou geral. Imediatamente, uma jornalista perguntou sobre essa atualização. Em seguida, Serra disse não saber o motivo para a alteração de última hora. Assim, precisei agir. Eu questionei em seguida junto ao governador que a informação inicial chegou como uma faixa salarial de R$ 550. E então, por que isso aconteceu?
A resposta de Serra foi enfática: "Eu havia determinado o aumento que garantisse o maior patamar. Foi um erro de digitação." Os argumentos do governador não convenceram os repórteres.
A desconfiança, claro, veio por ser um ano eleitoral. Todos sabem que Serra é um eventual candidato a presidente. Ele chegou a ser questionado se isso teria alguma ligação com essa disputa. Evidendentemente, o governador respondeu que não. Mas o mistério ficou no ar. Vai saber.
Só para deixar a informação mais redonda, Serra encaminhou o projeto de lei que estabelece esses aumentos para ser votado na Assembleia Legislativa. Ainda não há previsão de quando a proposta será analisada pelos deputados.
O reajuste passa a valer a partir do dia primeiro do mês seguinte à aprovação. Até lá, aguardamos todos os passos desse aumento.
O anúncio sobre o reajuste ocorreu oficialmente nesta terça-feira (09-02) pelo governador de São Paulo, José Serra. Mas o fato que mais chamou a atenção de todos os jornalistas presentes no evento foi o aumento aplicado no menor valor entre os três pisos salariais. Ao chegarmos para a solenidade, a equipe de jornalistas ligados ao governo estadual havia nos adiantado que essa faixa passaria de R$ 505 para R$ 550. Ou seja, uma alta de 8,91%.
A divulgação sempre acontece antes do início da entrevista coletiva como forma de facilitar o serviço dos repórteres presentes. Além disso, a notícia dava conta que as outras duas faixas salariais passariam para R$ 5 70 e R$ 580. Hoje, os mesmos pisos estão em R$ 530 e R$ 545, respectivamente. Pela ordem, representariam aumentos de 7,54% e de 6,42%.
Com isso, a primeira questão levantada em meio a essa espera pelo evento foi o fato de todos os reajustes previstos terem ficado abaixo da recomposição dada pelo governo federal para o salário mínimo nacional, que passou de R$ 465 para R$ 510. Isso representa alta de 9,67%. Como manda o figurino, todos queriam perguntar sobre isso ao governador, até então ainda reunido com o secretário de Emprego, Guilherme Afif Domingos.
Porém, a parte mais curiosa ocorreu logo quando Serra e Afif chegaram para a coletiva. Inicialmente, o secretário informou que era necessária fazer uma correção nas informações sobre a menor faixa salarial. Em vez de R$ 550, esse piso passou para R$ 560.
Na prática, essa alteração representava uma alta de 10,89%. Desta forma, esse piso se tornou um reajuste acima do concedido pelo governo federal. O fato gerou mais dúvidas junto aos repórteres. A nossa obrigação foi questionar isso.
Como justificativa, Serra e Afif destacaram que houve uma mudança na forma de cálculo dessa faixa para aplicar o aumento mais favorável ao trabalhador. O argumento foi a utilização do Produto Interno Bruto (PIB) calculado só no estado em 2008 na composição do reajuste. Por ser maior em relação à média nacional, esse índice impactaria num valor mais alto para esse piso. Em anos anteriores, era levado em consideração o PIB do país.
Mesmo assim, a desconfiança continuou geral. Imediatamente, uma jornalista perguntou sobre essa atualização. Em seguida, Serra disse não saber o motivo para a alteração de última hora. Assim, precisei agir. Eu questionei em seguida junto ao governador que a informação inicial chegou como uma faixa salarial de R$ 550. E então, por que isso aconteceu?
A resposta de Serra foi enfática: "Eu havia determinado o aumento que garantisse o maior patamar. Foi um erro de digitação." Os argumentos do governador não convenceram os repórteres.
A desconfiança, claro, veio por ser um ano eleitoral. Todos sabem que Serra é um eventual candidato a presidente. Ele chegou a ser questionado se isso teria alguma ligação com essa disputa. Evidendentemente, o governador respondeu que não. Mas o mistério ficou no ar. Vai saber.
Só para deixar a informação mais redonda, Serra encaminhou o projeto de lei que estabelece esses aumentos para ser votado na Assembleia Legislativa. Ainda não há previsão de quando a proposta será analisada pelos deputados.
O reajuste passa a valer a partir do dia primeiro do mês seguinte à aprovação. Até lá, aguardamos todos os passos desse aumento.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
O homem solitário
Como em todas as ocasiões, os agitos de quinta, sexta ou sábado à noite sempre são excelentes pedidas, principalmente para os solteiros em busca de aventuras. Como todos sabem, estou novamente nas paradas de sucesso. Sempre é bom fazer uma incursão nas baladas, depois de um tempo fora de combate.
Quem costuma fazer essas investidas quer conhecer outras pessoas, dançar, ver o movimento e chamar a atenção dos demais. Na verdade, funciona como uma bela vitrine para se manter no mercado, negociado com beijos, abraços, boa conversa e, em certas ocasiões, outras coisas mais...
Eu gosto de participar desse mostruário, afinal pode-se encontrar pessoas muito legais nesse circuito. Conheci muitas delas nesse meio, que depois viraram confidentes, fontes de informações para reportagens, consultores em determinadas áreas e até uma mulher com quem tive um breve relacionamento.
Por outro lado, veio um questionamento na minha mente nos últimos dias em relação à minha forma de agir. O fato veio principalmente quando busquei uma explicação para justificar a vontade de sair de carro pelas ruas.
Essas reflexões geraram a minha poesia do ano. Por isso, não contarei essas conclusões. Deixarei essa missão para o que vem escrito abaixo. Agradeço a alguém lá em cima para minha inspiração ter voltado. Vale a pena ler:
Esse homem costuma ser solitário.
Mas está atrás de alguém solidário,
que consiga ser bem capaz,
de realmente mostrar ao rapaz,
uma forma de preencher o coração
e tirar a sua mente da escuridão.
O percurso pelas ruas sozinho
é a maneira de buscar um caminho
com um simples e único porém.
Afinal, ele quer ir muito mais além,
Com a meta de se reencontrar
Sem perder o seu próprio ar.
Uma escolha para manter a essência
E, por tabela, não perder a decência.
A ideia é também ser diferente,
Para quem quiser abrir a mente.
O intuito é se tornar a melhor opção
a quem quiser abrir uma condição.
Foi o jeito de mostrar o seu valor
para quem quiser com certo louvor
conhecer como ele realmente é.
Basta apenas ter bastante fé.
Apesar de parecer um tanto duro,
irá achar nele um coração puro.
07-01-2010
Quem costuma fazer essas investidas quer conhecer outras pessoas, dançar, ver o movimento e chamar a atenção dos demais. Na verdade, funciona como uma bela vitrine para se manter no mercado, negociado com beijos, abraços, boa conversa e, em certas ocasiões, outras coisas mais...
Eu gosto de participar desse mostruário, afinal pode-se encontrar pessoas muito legais nesse circuito. Conheci muitas delas nesse meio, que depois viraram confidentes, fontes de informações para reportagens, consultores em determinadas áreas e até uma mulher com quem tive um breve relacionamento.
Por outro lado, veio um questionamento na minha mente nos últimos dias em relação à minha forma de agir. O fato veio principalmente quando busquei uma explicação para justificar a vontade de sair de carro pelas ruas.
Essas reflexões geraram a minha poesia do ano. Por isso, não contarei essas conclusões. Deixarei essa missão para o que vem escrito abaixo. Agradeço a alguém lá em cima para minha inspiração ter voltado. Vale a pena ler:
Esse homem costuma ser solitário.
Mas está atrás de alguém solidário,
que consiga ser bem capaz,
de realmente mostrar ao rapaz,
uma forma de preencher o coração
e tirar a sua mente da escuridão.
O percurso pelas ruas sozinho
é a maneira de buscar um caminho
com um simples e único porém.
Afinal, ele quer ir muito mais além,
Com a meta de se reencontrar
Sem perder o seu próprio ar.
Uma escolha para manter a essência
E, por tabela, não perder a decência.
A ideia é também ser diferente,
Para quem quiser abrir a mente.
O intuito é se tornar a melhor opção
a quem quiser abrir uma condição.
Foi o jeito de mostrar o seu valor
para quem quiser com certo louvor
conhecer como ele realmente é.
Basta apenas ter bastante fé.
Apesar de parecer um tanto duro,
irá achar nele um coração puro.
07-01-2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O Grande Homem
Minha situação fica cada vez mais apertada. Menos tempo de passar por aqui e fazer a tradicional atualização. Ultimamente, chego muito tarde em casa. Assim, o cansaço é tanto que eu não consigo escrever uma só palavra.
Desta forma, unirei o útil ao agradável. Um dia desses, eu vi uma moldura lá na academia onde sempre vou para treinar. Lá, havia um belo e precioso texto, denominado "O Grande Homem". Achei muito interessante devido ao seu conteúdo.
Foi minha forma encontrada para renovar o espaço aqui. Então, vou reproduzir essas palavras. Vale a pena ler:
"O Grande Homem mantém o seu modo de pensar, independentemente da opinião pública.
É tranquilo, calmo, paciente, não grita e nem desespera.
Pensa com clareza, fala com inteligência, vive com simplicidade.
É do futuro e não do passado.
Sempre tem tempo.
Não despreza nenhum ser humano.
Causa a impressão dos vastos silêncios da natureza: o céu.
Não é vaidoso.
Como não anda à cata de aplausos, jamais se ofende.
Possui sempre mais do que julga merecer.
Está sempre disposto a aprender, mesmo das crianças.
Vive dentro do seu próprio isolamento espiritual, aonde não chega nem o louvor nem a censura.
Não obstante, seu isolamento não é frio: ama, sofre, pensa, compreende.
O que você possui, dinheiro, posição social, nada significam para ele.
ó lhe importa o que você é.
Despreza a opinião própria tão depressa verifica o seu erro.
Não respeita usos estabelecidos e venerados por espíritos tacanhos.
Respeita somente a verdade.
Tem a mente de homem e coração de menino.
Conhece-se a si mesmo, tal qual é, e conhece a Deus."
Desta forma, unirei o útil ao agradável. Um dia desses, eu vi uma moldura lá na academia onde sempre vou para treinar. Lá, havia um belo e precioso texto, denominado "O Grande Homem". Achei muito interessante devido ao seu conteúdo.
Foi minha forma encontrada para renovar o espaço aqui. Então, vou reproduzir essas palavras. Vale a pena ler:
"O Grande Homem mantém o seu modo de pensar, independentemente da opinião pública.
É tranquilo, calmo, paciente, não grita e nem desespera.
Pensa com clareza, fala com inteligência, vive com simplicidade.
É do futuro e não do passado.
Sempre tem tempo.
Não despreza nenhum ser humano.
Causa a impressão dos vastos silêncios da natureza: o céu.
Não é vaidoso.
Como não anda à cata de aplausos, jamais se ofende.
Possui sempre mais do que julga merecer.
Está sempre disposto a aprender, mesmo das crianças.
Vive dentro do seu próprio isolamento espiritual, aonde não chega nem o louvor nem a censura.
Não obstante, seu isolamento não é frio: ama, sofre, pensa, compreende.
O que você possui, dinheiro, posição social, nada significam para ele.
ó lhe importa o que você é.
Despreza a opinião própria tão depressa verifica o seu erro.
Não respeita usos estabelecidos e venerados por espíritos tacanhos.
Respeita somente a verdade.
Tem a mente de homem e coração de menino.
Conhece-se a si mesmo, tal qual é, e conhece a Deus."
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