quarta-feira, 13 de maio de 2009

A cegonha quis trabalhar

Definitivamente, ela resolveu passar de uma só vez e deixar seu recado bem evidente. Mas não foi uma simples visita. Na verdade resolveu fazer o serviço bem caprichado. Ou estava generosa demais. Se eu resumir essa conclusão na família e agregados, pode-se perceber que a cegonha estava muito a fim de trabalhar. Sem passar há alguns anos nas proximidades, decidiu correr atrás do prejuízo. Em apenas uma tacada, deixou três lembranças num curtíssimo espaço de tempo. Uma delas é a Rafaela, lógico. Porém, não foi somente essa bebê.

Antes de mostrar essas recentes chegadas e os respectivos casais contemplados, vamos ao setor de conhecimentos gerais. A lenda da cegonha surgiu no século 19 na Escandinávia por meio dos contos do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Na época, as mães justificavam que a cegonha era responsável pela chegada dos bebês aos filhos mais velhos.

A escolha da ave como símbolo foi devido a uma combinação generosidade e fidelidade. A cegonha tem características dócil e protetora. Além disso, a espécie volta sempre ao mesmo ninho para por ovos e cuidar dos filhotes. Assim, a lenda se espalhou pelo mundo. Até hoje, muitos se referem desta forma quando nasce uma criança. Só sei disso porque fiz pesquisa na internet, viu.

Lenda ou realidade, a cegonha fez a alegria de três casais ligados à família num curto período. Por aqui, a Rafaela ampliou aqui mais uma geração. E chegou para dar alegria ao pai babão e meu irmão, o Jonathan, e a Elisângela. Com quase três meses (ela completa no próximo dia 16), a bebê arranca suspiros dos demais adultos. Já contei isso muitas vezes, então mais uma foto para provar a verdade.



Não é apenas a sobrinha do tio coruja aqui que deu mais cores à nossa vida. Antes dela, também veio a esse mundo o Bryan, filho da minha prima Lilian e do Marcos. Hoje com cinco meses, ele chegou até a fazer uma visita para mim em casa durante a minha fase de recuperação. Veio junto com os pais e com sua avó, a minha tia Lourdes, afinal ele ainda não consegue dirigir. Foi um aquecimento para eu despertar o sentimento de tio coruja. Desde pequeno, já é uma figura:




Bem mais distante, precisamente dos pampas gaúchos, nasceu a Maria Clara. A bebê chegou com a missão de colorir mais a vida das ramificações familiares do sul do país. E ainda para deixar um gosto de quero mais em quem acompanha por aqui o crescimento dela pelas fotos na internet. Com quatro meses, a pequena requer atenção redobrada da mãe Raquel e do pai Guinter (aproveitem para me corrigir se não é assim que se escreve o nome dele). Além disso, rouba a cena dos avós e dos tios. Olhe só como existem motivos de sobra para isso.



Para completar, a cegonha foi muito generosa por ter garantido muita saúde para essas três novas vidas. Além disso, como os bebês conseguem despertar nos adultos os sentimentos mais puros e simples, como a bondade, alegria, gentileza e sobretudo o amor. Mesmo que seja lenda, a passagem dessa ave traz muita magia aos nossos corações com os seus emissários.

Como resistir a graciosidade de um bebê? Nem o mais duro coração consegue ficar desse jeito com uma presença tão ilustre na nossa rotina. Quem tiver opinião diferente, por favor me prove o contrário.

domingo, 10 de maio de 2009

As mães de Rafaela

Como todo segundo domingo de maio, hoje é Dia das Mães. Comecei o texto desta forma porque talvez esteja sem criatividade para iniciar de outra maneira. Então, o jeito é fazer o básico para não cometer bobagens. Por aqui, a reunião de família para a data será mais uma vez na casa da tia Nice, conforme determina o figurino.

Apesar de ser completamente técnico e sem a costumeira pompa de sempre (é por pura ausência do dom criativo), a lembrança desta data será de uma forma bem diferente. Além de homenagear as mães, aproveitarei para mostrar novas fotos da Rafaela, a sobrinha do tio coruja aqui. Por que escolhê-la se ela ainda é apenas uma linda bebê?

A resposta tem justificativa. Afinal de contas, a chegada da Rafaela despertou o espírito de mãe em toda a família. Fora a Elisângela - a mãe de fato -, isso aconteceu na bisavó Tereza, na avó Léa e nas tias avós Raquel e Nice. Por ser a única pequena, os cuidados de mãe com a Rafaela são multiplicados por cinco vezes.

Para quem é de fora, imagine só como a Rafaela é o centro das atenções ao ponto das outras mães dela fazerem brincadeiras com a pequena bebê por muitas horas. E acreditem. Isso chega ao ponto de deixar a pequena criança estressada. Como é engraçado. Esse é o preço que se paga por ser sucesso de público e de bilheteria.

Eu presenciei esse fato e tentei até fazer novas fotografias da Rafaela. Mas isso não foi possível porque a pequena bebê estava muito agitada. Sem acordo. Mas flagrei algumas poses dela, que estava séria demais:



Nessa, a Rafaela já estava com aquela cara de choro:



Depois de inúmeras tentativas, as reclamações foram inevitáveis:



O jeito foi encerrar as investidas. Por outro lado, eu encerro essa postagem com um Feliz Dia das Mães para todas vocês. Não importa a idade, as condições e as situações, essas mulheres fazem de tudo para facilitar a vida dos filhos. Em alguns casos, até exageram nessa missão, mas é natural depois de presenciar o crescimento deles no próprio ventre durante nove meses.

sábado, 9 de maio de 2009

Enfim, sou um global

Havia voltado do almoço para retomar o batente no Diário de São Paulo. Quando cheguei à redação, o movimento era enorme lá dentro. Muitas câmeras de TV, várias pessoas de fora que andavam para todos os lados desse espaço e uma agitação só dos jornalistas. Evidentemente, isso despertou a minha enorme curiosidade. Quando fiquei mais atento a tudo, avistei a atriz Rosi Campos no local.

O fato aconteceu no final de maio do ano passado. O objetivo de tudo isso era mostrar como de fato funciona uma redação de jornal, numa reportagem para o programa Vídeo Show, da Rede Globo. A escolha de quem conduziria essa matéria tinha justificativa. A atriz fazia a personagem Tuca na novela A Favorita, uma editora-chefe do fictício matutino O Paulistano.

Na vida real, ela mostrou todos os passos dos jornalistas, como funciona o processo de edição do jornal e conversou com alguns editores do Diário de São Paulo. A reportagem, porém, só foi ao ar 15 dias depois, quando estava de férias. Mas alguns amigos até mesmo fora da profissão me telefonaram para comentar esse material.

Na verdade, esse pessoal apenas falava "eu te vi no Vídeo Show" ou "enfim, você virou global hein". Aí, eu me lembrei que a reportagem foi feita na redação. O motivo deles terem visto a minha pessoa na tela é porque a atriz encerrou a visita bem na bancada onde costumo trabalhar. Ou seja, fiquei alguns segundos na tela.

Foi muito engraçado, pois me tornei global por alguns segundos. Por outro lado, a atriz é uma simpatia de pessoa. Após o final das filmagens, ela conversou conosco, inclusive com os profissionais da minha bancada. Ou seja, trata-se de uma artista que não foi seduzida pelo lado negro do sucesso.

A seguir, a reportagem na íntegra para o Vídeo Show. Se quiser me ver na tela como se fosse um funcionário exemplar, terá que assistir tudo porque só apareço no final. Ou seja, será obrigado a ver todo o conteúdo. 


Um beijo no coração

Ao abrir a minha página do Orkut, havia um recado que me deixou bastante feliz. O conteúdo dele era referente ao texto escrito sobre o bota-fora da amiga e colega de profissão, Isis Brum. Ela deixou o Diário de São Paulo para tocar seus projetos pessoais. E, conforme prometido, marquei presença nesse encontro de jornalistas das mais longínquas redações de São Paulo.

O recado era nada mais nada menos que o da própria homenageada. Assim, a "poderosa Isis" deixou palavras inimagináveis, afinal apenas escrevi os fatos, conforme manda o manual de um jornalista. Nada mais.

A seguir, reproduzo o conteúdo na íntegra. Não esperava tanto carinho e agradecimento:

"Tomo o texto como um dos presentes mais lindos que ganhei na vida. Obrigada, meu amigo, muito obrigada. Pessoas de coração puro, capazes de amizades honestas, são as que realmente têm poderes mágicos - o poder da alegria. Um beijo no seu coração."

Ao ler essas palavras, cheguei à conclusão de mais uma missão cumprida. Ou seja, de atingir o objetivo de manter as amizades feitas ao longo desses 15 anos de profissão. Além disso, me deixou com mais esperanças de que ainda tenho bondade, sinceridade e honestidade. Permaneço no caminho certo.

Talvez, continuo a ser uma pessoa honrada, apesar de nadar contra a maré forte. Pelo menos, durmo com a consciência tranquila. Isis, só escrevi a verdade, acredite. Mesmo assim, o coração tão remendado, cicatrizado e alegre por ter nascido de novo recebeu com enorme euforia esse beijo. Pode acreditar.

Assim, aproveito essa oportunidade para colocar mais fotos onde o rapaz aqui se encontra, durante a despedida da Isis no tradicional Marajá. Nessa imagem, apareço com a Rubia Evangelinellis e Carol Knoploch:



E não podia deixar de sair na foto com a Isis:



São atitudes iguais a essa que mostram como podemos ser pessoas boas de coração. Muitos preferem fazer o mal ou simplesmente ignorar os sentimentos mais nobres do ser humano. Eu prefiro não abandoná-los. Com eles, sempre mantenho a tentativa de ser um homem melhor a cada segundo que passa.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O teste que virou manchete

Vou retomar aquela missão de mostrar algumas imagens dos meus 15 anos de profissão. Desta vez, a viagem no tempo não será muito grande. Digamos, um pequeno deslocamento. Retornaremos ao ano de 2005, quando iniciei a minha nova incursão. Desta vez, desembarquei no ABC Paulista para trabalhar no maior jornal daquela região, considerada uma das mais desenvolvidas economicamente. Afinal, era um prato cheio para trabalhar no setor onde atuo desde 2000. E, ao mesmo tempo, se tornaria a minha porta de entrada para a grande imprensa.

Aterrissei no Diário do Grande ABC graças a uma indicação feita pelo amigo Frederico Rebello Nehme. O jornal precisava contratar um repórter de economia e ele sugeriu o meu nome junto aos dois editores de economia daquela época. Eu e o Fred, como é conhecido, trabalhamos juntos no ValeParaibano, em São José dos Campos. Por isso, se lembrou de mim porque havia atuado nesse setor no interior do estado.

Desta maneira, fui chamado para fazer um teste e, desta forma, concorrer à vaga aberta. Na verdade, compareci sem muita expectativa, pois naquela época era assessor de imprensa na Assembléia Legislativa. Ao contrário do que pensei, o resultado desse processo foi muito mais além do imaginado. Tudo começou quando os editores Marcelo Moreira e Fausto Siqueira passaram uma pauta sobre exportações de caminhões como forma de me avaliar.

Corri atrás da história. Primeiro, ouvi alguns representantes dos trabalhadores que ficam dentro das montadoras de veículos. Para o meu desespero, o assunto não decolava. Mas o roteiro de tudo isso começou a mudar quando fiz uma pergunta um tanto boba, mas sempre necessária na apuração de uma reportagem. "Fora isso, tem mais alguma novidade?", questionei o entrevistado, um representante da Comissão de Fábrica da Scania.

Ao fazer isso, ele me revelou que a empresa havia aberto um Programa de Demissões Voluntárias, o conhecido PDV, como forma de persuadir os trabalhadores a pedir desligamento, com incentivos financeiros além da rescisão do contrato. A informação era importante porque a região enfrentava uma onda de PDVs nas montadoras.

Ao informar a descoberta para os editores, os dois ficaram eufóricos com a notícia. Pediram se eu poderia continuar na apuração da reportagem. De quebra, eles colocaram para me ajudar o próprio Fred e Leone Farias. Esse último é o repórter mais experiente da editoria. Fiquei surpreso com tudo isso. No final da tarde, anunciaram que o meu simples teste tinha virado a manchete do jornal do dia 01 de junho de 2005. Ou seja, havia praticamente conquistado a vaga. Pura sorte de ter feito a pergunta certa na hora certa.

Assim, reforcei a equipe de economia do jornal. Por quase um ano, fui o repórter que cobria o movimento das montadoras do ABC, região considerada o berço do segmento automotivo do país. Por esse motivo, tratava-se da área mais importante da editoria. Logo na primeira semana, foi uma manchete atrás de outra.

Tanto que um amigo de longa data nesse jornal, Roney Domingos, disse: "chegou apavorando, hein!". Nós dois havíamos trabalhado juntos no Diário de Mogi das Cruzes. Outros repórteres mais antigos chegaram a me falar que não se importavam em dar a principal notícia do dia. Seria despeito ou incapacidade? Isso não importa para quem procura sempre fazer o melhor possível.

Os plantões do final de semana eram divertidos. Em algumas ocasiões, o povo até fazia foto nossa para fazer brincadeiras com a própria desgraça de trabalhar enquanto o restante da família está em pleno descanso. A seguir uma imagem desses momentos. Pela ordem, o diagramador Eder Marini, Marcelo Moreira e eu:



Esse período foi muito bom, talvez um dos melhores da minha carreira. Consegui despontar numa área importante e com respaldo dos editores, inclusive para fazer reportagens negativas contra as grandes montadoras. Além disso, essa passagem também foi interessante porque trabalhei ao lado de uma das melhores equipes que atuei. Só perde para o grupo do Terra TV.

Além dos editores, do Fred e do Leone, também compunham a editoria Hugo Cilo, Mariana Oliveira, William Glauber, Luiz Frederico, Roberto Izuka e Adriana Mompean. Essa última é uma das únicas remanescentes ainda no jornal junto com o Leone. Os demais já deixaram o Diário do Grande ABC graças a novas oportunidades ou devido aos altos e baixos da profissão.

Já a maioria da equipe foi para grandes redações, como O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, IstoÉ Dinheiro, portal G1 e assessorias de imprensa. No meu caso, deixei esse jornal em razão de divergências com o editor que assumiu o comando no lugar de Marcelo Moreira e Fausto Siqueira. Tudo bem, afinal consegui a proeza de sair do Diário do Grande ABC no dia em que tinha dado a manchete do dia novamente. Pelo menos, não foi por falta de capacidade técnica.

Por outro lado, pensei por algum tempo que minha passagem por esse matutino tinha acontecido simplesmente devido a um único e mágico momento pessoal. Mas foi apenas mais um local onde enriqueci minha trajetória profissional. Ainda bem. Considero que o Diário do Grande ABC foi o primeiro degrau para o meu amadurecimento no jornalismo, apesar dele ter perdido o vigor editorial de décadas passadas. Coisas do tempo, que passa e traz transformações.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A poderosa Isis

Recebi um convite de uma amiga de trabalho através de uma página de relacionamentos na internet. O chamado era para comparecer a um encontro de jornalistas com intuito de fazer aquele tradicional bota-fora. A companheira de redação, Isis Brum, deixou o jornal. Desta forma, resolvi dar o meu apoio moral e prestigiar o nobre evento. Chegou a hora de deixar mais uma vez o meu refúgio de recuperação em Suzano para a primeira aparição pública aos parceiros de empresa. Foi uma forma de me preparar psicologicamente para o retorno ao serviço.

Ela não tem poderes mágicos, como a capacidade de voar e super força, mas é tão poderosa quanto a Isis, aquela heroína do seriado transmitido na TV na década de 70 e início dos anos 80. O motivo desse comparativo é o número de pessoas que compareceu ao encontro. Havia representantes de várias redações, entre jornais, portais de internet e assessorias de imprensa. E até um pensionista do INSS, que é o meu caso.

O clima era de muita descontração, regado a muito chope, uísque e vinho entre o público presente. Por conta dos medicamentos, ainda fiquei a base de água e suco de abacaxi. O local escolhido foi o Marajá, um botequim bem perto do jornal que sempre é escolhido para ocasiões desta natureza. Como estou sem trabalhar, fui o primeiro a chegar, inclusive antes da homenageada. 

Decidi não avisar que compareceria como forma de causar surpresa. A decisão foi perfeita. Além da alegria dela ao me avistar, outros amigos também ficaram felizes, afinal muitos não me viam desde o acidente, no entanto sempre estavam em contato comigo pelo telefone e me davam apoio nos momentos difíceis. Evidentemente, as perguntas foram sobre minha recuperação e se eu estava bem. Essa preocupação comigo só serviu para me dar mais forças para recomeçar na profissão. A sensação é de que ainda sou querido por alguns jornalistas.

Já falei demais de mim. Agora é a vez de retomar o assunto sobre a homenageada. Também resolvi deixar a pacata Suzano em direção a capital porque a Isis sempre foi parceira no Diário de São Paulo. A última delas foi no meu último plantão antes do acidente, quando atuamos juntos no desfecho do Caso Eloá. Nesse esquema, também estava Aiuri Rebello. Um procurava ajudar o outro na obtenção de informações. Além disso, revezamos o único notebook cedido pelo jornal para essa cobertura. Fatos que sempre serão carregados na minha carreira.
 
A decisão dela de pedir pedir demissão foi para tocar projetos pessoais. Ou seja, um novo desafio para ganhar motivação. A Isis, eu só tenho como desejar muito boa sorte nessa nova empreitada. E não deixe de nos procurar. Assim, encerro essa postagem com o tradicional registro fotográfico. Junto comigo, aparecem da esquerda para direita as jornalistas Rubia Evangelinellis, Carol Knoploch e a Isis. Olha a minha cara de assustado. Que horrível....


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ao lado das minhas amigas

Domingo de decisão. Corinthians e Santos jogaram pela segunda vez para definir quem levaria o título do Campeonato Paulista. Como torcedor do timão - não tão fanático quanto meu irmão -, queria assistir à partida reunido com amigos ou num bar com muita muvuca. O cenário todo para acompanhar o jogo já estava traçado, mas foi muito melhor do que imaginava. Além de acompanhar todas as jogadas em meio ao clima de comemoração, contei com as companhias das grandes amigas de longa data, a Tatiana e a Milena.

Foi muito bom ver o jogo ao lado delas. E olha que as duas não torcem para nenhum time. No entanto, elas queriam curtir todo esse movimento como uma maneira de espairecer a mente. Como estou quase recuperado, resolvi encarar o desafio de ficar no meio do público. Assim, nós partimos para Mogi das Cruzes em direção ao Santa Rosa, um barzinho muito frequentado pelas pessoas atrás das badalações. O local era um dos que abriram mais cedo para receber os corintianos e os santistas.

Fora ver o Corinthians novamente campeão, o encontro desse trio tinha algo mais importante. Voltamos a sair juntos depois de quase cinco anos sem fazer isso, devido aos caminhos diferentes que cada um seguiu. No entanto, isso provou que a amizade persiste nas horas boas e nos momentos ruins, apesar desse tempo de distância. Ao saberem do acidente, a Tatiana e a Milena fizeram questão de me visitar em casa. 

E revivemos as saídas às baladas nos tempos de adolescência e já na fase adulta. Eu adoro muito essas "meninas", conforme costumo chamá-las carinhosamente desde o início dessa amizade, há mais de 14 anos. Na verdade, são as minhas irmãzinhas que eu nunca tive. Como sou o mais velho, cuidava delas nas saídas noturnas quando éramos mais jovens. 

Assim, aproveitamos para conversar sobre o jogo. Ao final da partida, com o meu Coringão campeão, falamos sobre diversos assuntos, como as nossas experiências pessoais, profissionais e sobre os bons tempos de amizade. Depois do jogo, o bar continuou com as portas abertas e recebeu mais público. O espaço virou uma verdadeira balada de domingo. Foi demais.

Para encerrar com chave de ouro essa nossa saída, fizemos o tradicional registro fotográfico. Fazia muito tempo que queria uma imagem ao lado delas para guardar nos meus arquivos. O clique mostra, pela ordem, a Tatiana, a Milena e o rapaz que vos escreve.



Como somos os remanescentes do grupo de amigos, essa será a primeira de muitas incursões que já combinamos. Como ainda não tivemos o mesmo desfecho dos outros, como casamento e filhos, o jeito é manter o contato porque relacionamentos vêm e vão, mas essa amizade mostrou que persiste, não importa a trilha que cada um de nós escolheu para seguir.

OBS (colocada após ter postado o texto): como fiquei feliz em sair nessa foto porque tenho muito carinho pela amizade da Tatiana e da Milena. 

domingo, 3 de maio de 2009

Como vendedor de picolés

Mais um final de semana está em curso. Como já estou muito melhor, decidi dar uma caminhada em Suzano neste sábado para ver como estava o movimento. Dei uma olhada no movimento no shopping da cidade, assisti a um filme no cinema e depois fui embora. Fiz tudo isso a pé para fortalecer a perna. Era final da noite, então bateu aquela fome. Resolvi seguir um conselho dado pelo meu fisioterapeuta e parti em direção a um posto de gasolina, onde tinha um trailler novo de lanches. O ponto foi montado recentemente, mas o responsável pelo local é bem conhecido devido aos seus deliciosos sanduíches de hamburguer.

A frente do negócio, está um senhor conhecido no município como França. Ele mesmo prepara os lanches. Que delícia de x-salada. Devido à ótima fama nesse segmento desde os tempos da sua antiga lanchonete, chamada de Koxixo, o trailler sempre tem um movimento intenso, principalmente nos finais de semana. Afinal, o imóvel onde ficava o antigo ponto foi vendido e hoje é um barzinho com música ao vivo.

Nem de longe, o fluxo atual se compara à antiga lanchonete. Bom, o local mudou, mas a qualidade do sanduíche continua o mesmo. Ao fazer essa visita ao trailler, minhas lembranças voltaram a funcionar como acontece ultimamente. Quando estava no pequeno balcão para comer, viajei novamente no tempo, mais precisamente para o ano de 1990, muito antes de ser jornalista. Nem pensava em atuar nessa profissão.

Há quase 19 anos, eu fazia parte da turma de formandos da oitava série da Escola Estadual Geraldo Justiniano de Rezende Silva. Para garantir a festa de conclusão do antigo primeiro grau (hoje ensino fundamental), os alunos precisavam arrecadar recursos durante todo aquele ano. Assim, a nossa classe foi dividida em grupos. Cada equipe fazia algo como forma de conseguir dinheiro.

Desta forma, o nosso grupo resolveu vender picolés na rua. Isso mesmo, igual àqueles ambulantes com uma caixa de isopor. Além de mim, a equipe era composta por Dárcio Kitakawa, Jamilton Ferreira Júnior, o Juca, e Edgard Kobayashi. Esse último talvez tenha sido influenciado por essa época, afinal ele montou uma bela sorveteria no shopping da cidade. Já os outros dois amigos são dentistas.

Para colocar o plano em prática, nós juntamos dinheiro dado pelos pais e compramos mais de 100 picolés de diversos sabores. Colocamos uma parte deles no isopor e os demais guardamos no freezer da mãe do Dárcio. Mas na hora de vendê-los, ninguém tinha coragem de sair com a caixa de isopor. Desta forma, precisei tomar a iniciativa, carregar o produto no ombro e gritar "olha o sorvete, olha o sorvete". Na cara de pau, abordava os pais dos alunos em frente à escola. Os outros só acompanhavam escondidos de vergonha.

Tudo bem, não tenho o que reclamar porque conseguimos vender todos os picolés. Reembolsamos o dinheiro aplicado no negócio e ainda tínhamos um lucro garantido para ser usado na festa de formatura da oitava série. Missão cumprida, graças ao empenho de todos. Ou quase cumprida, pois o objetivo total teria sido alcançado se a gente tivesse entregado o montante arrecadado na venda. Decidimos não fazer isso por um único motivo: os outros grupos nada tinham se empenhado na coleta de recursos. 

Numa pequena reunião, achamos injusto somente o nosso grupo dar o dinheiro. Então, tomamos uma importante decisão. Vamos usar o nosso lucro de outra forma. Como todos eram adolescentes, resolvemos torrar a grana em comida. Fomos ao antigo Koxixo para comprar aqueles deliciosos e tradicionais lanches. Escolhemos um dia em que os alunos sairiam mais cedo. O local ficava bem perto da escola.

O dinheiro no nosso bolso daria para cada um comer pelo menos de dois a três lanches e tomar vários refrigerantes. Como a gula era enorme devido àquela oportunidade, eu pedi dois sanduíches de x-bacon e um milkshake de morango grande. Os outros também consumiram muito. A felicidade de todos era tanta, que nem almoçamos no dia. Até minha avó estranhou, pois fazia sempre essa refeição na casa dela. Contei, é claro, que fomos ao Koxixo.

Tudo bem, o dinheiro era para a fomatura. Por outro lado, não era errado ter ido à lanchonete, pois eu, o Dárcio, o Juca e o Edgard colocamos dinheiro do próprio bolso para comprar os picolés. E trabalhamos por uma finalidade, mas no final acabou em outra meta porque a gente teria trabalhado por todos os outros alunos, que sequer se empenharam como o nosso grupo. Seria pura injustiça.

De volta ao trailler do antigo dono do Koxixo, terminei o meu lanche e fui embora para minha casa. Não importa onde o França esteja, mas os sanduíches sempre serão maravilhosos. E cheguei a essa conclusão desde os meus tempos de estudante. Quem for de Suzano ou vier à cidade, vale a pena conferir.

sábado, 2 de maio de 2009

A última grande cobertura

Antes, havia pensado em escrever sobre um determinado assunto no texto postado anteriormente. Mas nem tudo sai conforme planejado. Bom, vamos ao tópico que deveria ter sido publicado antes. Nos últimos dias, voltei às lembranças da minha carreira de 15 anos e cheguei à conclusão. Poxa, só conto sobre os meus primórdios na minha região. Então, resolvi mostrar uma história ocorrida mais recentemente. Aí, vieram as recordações do meu último plantão de final de semana no Diário de São Paulo. Nessa ocasião, fiz a minha última grande reportagem no jornal e, por incrível que pareça, fora da minha editoria habitual, de economia.

Como ocorre desde o início de 2008, os repórteres de economia e variedades da empresa reforçam a equipe geral, chamada no jornal de editoria São Paulo, nos finais de semana. É o grupo mais importante do matutino. Então, eu também entrava nesse esquema. Por esse motivo, caí numa cobertura importante no último sábado e domingo que trabalhei: fui parar diretamente no Caso Eloá.

Para quem não se lembra, essa história consiste no assassinato da estudante Eloá Cristina Pimentel, de apenas 15 anos. Ela morreu com um tiro na cabeça disparado pelo ex-namorado Limderberg Alves depois de mantê-la refém por cinco dias no apartamento dela, em Santo André. O disparo ocorreu com a invasão dos policiais do Grupo Tático de Ações Táticas Especiais (GATE) ao local. Essa situação mobilizou toda a opinião pública e os jornalistas, evidentemente.

A invasão aconteceu no final da tarde de 17 de outubro, uma sexta-feira. O dia era a véspera do meu plantão, dias 18 e 19. Sábado e domingo, respectivamente. Quando todos na redação acompanharam esse momento pela TV, eu pensei: terei um longo plantão. Como fazia habitualmente, concluí as minhas reportagens do dia e fui embora porque ainda não estava envolvido nessa situação, mas entraria no dia seguinte. Deixei o jornal com aquele tradicional dilema de um jornalista nessas horas: o que farei?

Passei no bar ao lado da empresa, bebi aquela gelada para relaxar um pouco e conversei com alguns colegas da redação. No meio do bate-papo, veio repentinamente à conclusão que resolveria a minha dúvida. Decidi voltar às minhas origens porque a situação permitia, afinal estaria mesmo de plantão. Quis novamente sentir o gosto de realmente ser repórter e entrar num grande caso. Sou tão bobo assim em ainda vibrar como se fosse um iniciante?

Desta forma, tomei a iniciativa de telefonar para o Sérgio Roxo. Ele estaria na chefia de reportagem no plantão. Liguei e disse que o pessoal poderia me jogar na cobertura dos desdobramentos do caso. Para isso, apresentei vários argumentos: morava próximo a Santo André, em São Bernardo do Campo, conhecia a cidade vizinha e preferia ficar em campo em vez de sentado na redação.

Minha ação funcionou. No dia seguinte, ele e o restante da chefia do plantão depositaram confiança em mim. Desta forma, fui o estranho no ninho no acompanhamento do caso porque os demais repórteres em Santo André vinham da editoria São Paulo. Quanto a mim, há muitos anos eu não participava de coberturas desta natureza. Será que estava preparado para reviver tudo isso?

Empenhado devido ao meu próprio pedido, me juntei aos jornalistas Aiuri Rebello, Bruno Folli e Isis Brum, além dos repórteres fotográficos Daniel Mobília, Odival Reis, Fernando Dantas e Fred Chalub nessa empreitada. Fora isso, tinha uma maré de colegas de outros veículos de comunicação em frente ao Centro Hospitalar de Santo André, que virou o quartel geral dos profissionais na cobertura porque tanto a Eloá e a amiga dela, Nayara Vieira, estavam internadas. Essa última sofreu um tiro na face, mas se recuperou sem sequelas.

No sábado, fiquei responsável por localizar as demais pessoas que ficaram reféns no apartamento. Até fui feliz nisso porque consegui o endereço deles e dos familiares graças aos antigos contatos que fiz nos primórdios mogianos. Assim, encontrei o namorado de Nayara, Yago de Oliveira.

O jornal foi a primeira equipe de reportagem a achá-lo após o desfecho trágico. Em entrevista, ele demostrava que ainda estava muito chocado com o ocorrido e contou como Limderberg apareceu no apartamento e as primeiras horas de cativeiro. Por falta de espaço no jornal, infelizmente essa conversa foi descartada das páginas. Perdemos a exclusividade.

Mas o dia seguinte do plantão foi o mais produtivo. A chefia me escalou para acompanhar a entrevista coletiva dos delegados responsáveis pelo caso. Lá, consegui todo o andamento do trabalho policial e tive acesso ao primeiro depoimento de Nayara, dado antes dela voltar ao apartamento. Nele, estavam contidos os momentos de terror enfrentados por ela e pela amiga Eloá, que sofreu agressões do ex-namorado. 

Por isso, a cronologia que consegui na delegacia virou a manchete do jornal. Bom resultado para o para-quedista do grupo, que desembarcou da economia para um plantão agitado. Foi muito legal, pois fui agraciado com isso depois de pedir para entrar no caso. Os outros repórteres vibraram com o ótimo desempenho, afinal conseguimos fazer um trabalho em equipe. E, no dia seguinte, os chefes do plantão vieram me agradecer pelo empenho e reforço. Veio novamente a sensação de mais uma missão cumprida.

Para mim, a experiência também foi muito legal porque fiz uma boa reportagem, que é uma verdadeira arte. Mais uma obra prima esculpida passo a passo com informação em cima de informação até a conclusão dela com chave de ouro.

Só consegui esse feito por ter atuado em campo e presenciado pessoalmente a notícia, sem a burocracia que virou o jornalismo. Hoje, dependemos mais de telefones, internet e, por isso, engolimos as versões sem analisarmos os fatos.

Aos poucos, perdemos a capacidade de avaliar e desconfiar. Talvez, eu ainda vivo na fase romântica da profissão. E podem me chamar de jornalista das antigas porque é um orgulho para mim. Pelo menos, não me prendo na cadeira e desempenho de forma burocrática a minha profissão. Bom, cada um escolhe sua maneira de atuar, mas a minha ainda é partir para o sacrifício.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Os últimos seis meses

Todo o dia primeiro de maio é feriado em comemoração ao Dia do Trabalhador. Nessa data mundial, as pessoas festejam ou protestam como forma de exigir a geração de mais empregos. Neste ano, a segunda opção ficou mais evidente por conta da crise, que acarretou um corte acentuado do número de vagas em todo o planeta, inclusive no Brasil. Consequência da lógica menos consumo-produção em menor escala-necessidade de uma quantidade menor de postos nas empresas. Raciocínio questionável, mas comum quando há retração na economia.

Para mim, esse dia tem algo muito mais além que um simples feriado. O acidente de trânsito que sofri em São Bernardo do Campo completou seis meses. Com isso, já se passou metade de um ano de uma forma completamente diferente do habitual. Desde então, estou sem trabalhar por causa da minha recuperação física. Como o tempo passa, não é mesmo?

Ao contrário dos dois anos anteriores no Diário de São Paulo, acompanhei as festividades do Dia do Trabalhador em casa pela TV e internet. Para as pessoas normais, algo completamente normal. Para os jornalistas que atuam na editoria de economia, é um dia de muito serviço para cobrir os eventos organizados pelas centrais sindicais. Em 2007 e 2008, por exemplo, acompanhei todos os passos da festa feita pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).
 
Apesar do cansaço gerado por uma ampla cobertura, eu tenho boas lembranças. Nessas oportunidades, costumo encontrar muitos colegas de profissão que estão em outros jornais ou mesmo os assessores de imprensa das entidades organizadoras. Há espaço para conversas sobre diversos assuntos para distrair a cabeça. E também um momento de deixar a burocracia de apurar reportagens por telefone ou e-mail e ficar atento aos acontecimentos de perto. Coisas do jornalismo mais romântico.

Os seis meses parados também serviram e muito para refletir. Várias situações profissionais e pessoais não estarão no mesmo lugar como deixei antes do acidente. Muita coisa mudou e poderá ser alterado quando voltar à minha vida normal. Gostaria que algumas delas não se transformassem, mas paciência. Até a ortografia da Língua Portuguesa sofreu transformações e precisarei aprender sobre isso.

Por outro lado, outras situações surgiram repentinamente para minha alegria. Estão dentro das transformações acima citadas. Como é bom receber apoio moral, espiritual e afetivo das pessoas que realmente gostam de mim. Devem ter consideração mesmo, pois não sou unanimidade entre o público. Não é trágico, mas como disse Darwin Valente, editor-chefe do Diário de Mogi, "é preciso tirar boas lições de tudo". As palavras foram em 2000 e nove anos depois, eu consegui isso no acidente.

São com essas mudanças que me preparo para voltar à correria do dia-a-dia. Para quem acreditou, torceu e sofreu por mim, toda a corrente positiva não foi em vão. Honrarei cada preocupação trazida por mim nos tempos difíceis de recuperação. Já para aqueles ou aquelas que ignoraram essa história ou abandonaram o barco, voltarei com o sentimento de ter dado a volta por cima. E me aguardem. Se o meu retorno incomoda, o problema é seu. Sem ressentimentos.

Quanto a mim, quero seguir em frente renovado. Não sou mais o mesmo porque aprendi a valorizar mais a vida que ganhei pela segunda vez. Tomara que tenha me tornado uma pessoa melhor. E confesso uma coisa. Pensava em escrever sobre um assunto e, no decorrer do texto, relatei algo bem diferente do previsto. Igual ao nosso dia-a-dia porque nem sempre algo sai conforme planejado. Esse é gosto mais saboroso de viver.